sábado, abril 14, 2007

O arco-íris, o sublime e o silêncio do Matreco

Estou de volta depois de umas férias de Páscoa rejuvenescedoras. Citando uma amiga minha, “o matraquilho resolveu sair das 4 linhas”, dos www’s, do HTML, dos zeros e uns do computador. Além disto, diga-se que a minha cabeça também não se insuflou nem de vontade, nem de inspiração para escrever. Antes quis dar um pontapé para o ar, para longe, muito longe da baliza, em roletas sucessivas, na tentativa de desentorpecer o corpo e o espírito.
Com tanta volta, acabei por levantar os pés do chão e levitar por instantes. Na verdade, não me apetece voltar a sentir tão cedo a poeira que se levanta lá em baixo, no “terreno de jogo” – que tinge qualquer sonho com as cores mais cinzentas e tristes da realidade, por parte de quem não vê há muito tempo um único arco-íris em plena planície alentejana, por exemplo. (Ver Foto)
Em vez da inspiração para escrever, surgiu a inspiração para viver. Sempre que se consegue traduzi-la em palavras é fantástico, pois pode entusiasmar e encorajar outros a fazê-lo também, não pelo mesmo caminho, mas apelando ao encontro de um outro – o de cada um de nós – o da integridade e estabilidade do EU. Daqui, talvez se encontre a inspiração para vivermos melhor com quem somos e com quem nos rodeia.. O Mundo é grande demais e mais vale tornar o “mundo” que nos é mais próximo num lugar melhor. Com tempo, o grande Mundo irá seguir as mesmas pisadas. Só depende de cada um.
Por sua vez, se de uma inspiração resultar uma experiência inefável, melhor! É porque o sublime e o silêncio nos tocaram, paralizando os nossos pensamentos, como se de uma meditação se tratasse. A meditação é isto mesmo – silêncio – o cessar do pensamento e ver beleza nas mais pequenas coisas (despojadas de nomes e qualidades). Tenho tentado fazê-lo, daí o meu silêncio...
Agora, aos poucos lá vou descendo, mas peço que não batam com os pés na terra poeirenta.
Schhhhhh... muita paz.

Os matraquilhos fazem meditação antes de entrar nas 4 linhas.

P.S: São efeitos secundários dos pólens da Primavera, mas aconselho todos a irem ao Alentejo nesta altura. Uma explosão de cores está prestes a desencadear-se por lá.

sábado, fevereiro 03, 2007

...um pouco, no Porto

Impossível estar quieto!!
Resolvi, desta vez, aventurar-me no maravilhoso mundo technicolor do vídeo e pixel a cores!!
A sugestão foi dada por Bernardo Moura, autor de um blog despido, mas não de ideias, interesse ou pertinência. Ora vejam: http://www.cuaoleu.blogspot.com/
Apresento-vos então um vídeo do Porto. Pois, mais uma vez...
A verdade é que tem sido uma cidade incontornável no meu percurso pelo Norte e que me tem marcado, assim como, alguma gente que por lá anda e me acompanha neste meu encantamento pelo Porto, Gaia e arredores.
Façam umas pipocas e vejam o vídeo.

Os matraquilhos fazem grandes filmes!!

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Vamos cantar as Janeiras



“Vamos cantar as janeiras, vamos cantar as janeiras,
Por esses quintais adentro vamos, às raparigas solteiras.
– BIS
Pá pa ra ra ri ri, pá pa ra ra ri ri, pam pam pam pam...”

Cá está mais um novo ano para viver e mais uma oportunidade para aprender a fazê-lo melhor. Aqui o matreco não pensa de outra forma. Pessoa, já dizia:

“Beber a vida num trago, e nesse trago todas as sensações que a vida dá em todas as suas formas…”

Fernando Pessoa é um dos “matraquilhos” mais irrequietos de que há memória. É espantoso como ainda hoje continuam a revelar-se pequenas peças de puzzle das suas multifacetadas dimensões, sempre que alguém resolve remexer o baú que ele nos deixou. Mas, Pessoa não é o único!!
Todos nós temos um “baú”. Seria bom se neste ano novo começasse-mos a aprender a revelar o que de bom se encerra em cada um de nós. A partilha decerto daria os seus frutos ao ponto de a meio do ano, já meio mundo estar de “baú” escancarado e preparado para sentir e guardar tantas outras coisas boas de quem vai passando por nós e, assim, aprender a ser um pouco mais feliz. Todos nós temos essa capacidade e será inútil procurá-la fora de nós, muito menos em coisas que tão depressa se materializam como depressa se desvanecem e desaparecem. Pergunto: o que é a felicidade senão alcançar o etéreo de todas as experiências que se vivem e sentem, desejando que este perdure insistentemente em nós, como um bom perfume fortemente impregnado no nosso corpo? Também se sabe que quem cai na soberba da felicidade pode esquecer-se que tem a capacidade de fazer com que outros também a encontrem, não lembrando que isso até poderá tornar-nos um pouco mais felizes. Enfim, onde eu já vou....
Passando da filosofia manhosa à prática, em Janeiro cantei as Janeiras!!! Uns fazem-no até ao dia de reis, outros como eu, até ao fim do mês, mas existe sempre a mesma alegria de cantar e desejar, ao próximo, um novo ano, com um “baú” recheado de coisas boas para dar e com muito espaço para receber. É um bom começo de ano novo, não?
Venha o vinho e o pão! Brindamos e cantemos à felicidade de todos, cara... que saber viver é uma arte com pouco tempo para aprender.

“Vamos cantar orvalhadas, vamos cantar orvalhadas,
Por esses quintais adentro vamos, às raparigas casadas. –
BIS *
Pá pa ra ra ri ri, pá pa ra ra ri ri, Pam pam pam pam...”
(Excertos da canção Natal dos Simples de Zeca Afonso)

*Ou a uma linda rapariga de outro estado civíl.
Os matraquilhos também sabem cantar!!

sábado, dezembro 09, 2006

Desabafos do Pai Natal

Meus meninos, este ano não há prendas para ninguém! Oh... Oh... Oh... é que o Natal está a chegar e esta tosse não me passa!
A verdade é que estou já muito velho, gordo e cansado, para andar por aí feito louco a satisfazer os vossos pedidos.
Rapaziada, não sou mais aquilo que era. Lembram-se da minha grande barba branca? Pois é, não existe mais! Cortei-a por sugestão do Rodolfo - a mais forte das minhas renas, pois até ela perdeu a vontade e a força para continuar. Perante tamanha inutilidade, o mais certo é fazer dela a minha ceia de natal. É que o Bacalhau está caro e não posso sustentar tanta rena com a minha miserável reforma.
Estou triste com o Mundo, ou melhor, com os Homens que nele habitam e que sistematicamente o desrespeitam, chegando ao ponto de fazerem o mesmo entre eles. Estou farto. Agora quero ser eu a receber prendas, e das grandes!!
Pois bem, chegou o momento de serem vocês a dar alguma alegria aqui ao Pai... Não me resta outra alternativa senão confiar em vós, rapaziada. Este é o vosso momento! – aquele em que têm de fazer tudo o que de bom sabem e sonham para tornar este Mundo num lugar melhor para se viver. Tenho muita esperança que isso possa um dia acontecer, mas têm de perceber que há momentos para dar e não para receber. O Mundo vai agradecer-vos no futuro, porque eu decerto já não o poderei fazer Oh... Oh... Oh... é que o Natal está a chegar e a #@&%! da tosse não me passa.
Meus meninos, este ano não há prendas para ninguém! Oh... oh.... oh... é que não me passa!!
Psst, olha, tu aí! Já agora, ajuda aqui o velho e arranja-me uns trocos para comer uma sopinha e um prego ali no tasco, que isto de arrumar trenós não chega para tudo.

Bom Natal e Feliz Ano Novo para todos!