segunda-feira, junho 11, 2007

Aldeias submersas

Vilarinho das Furnas

Pedra sobre pedra de granito cresci,

Sobre pedra de granito repousei.

Pedra de granito sob o céu senti,

No granito sob o céu cantei.

Sob o céu e mergulhada na água morri,

De pedra mergulhada na água permaneço.

Mergulhada na água e na memória de granito desapareço,

Na voz e na memória silenciada de quem em mim vivia adormeço.

Na memória de granito de quem conheci renasço,

Pedra sobre pedra de granito te abraço.






Aldeia da Luz

Luz velha submersa, à pressa.

Devagar veio a desgraça,

De quem afoga as lembranças

Em Luz nova sem graça,

Sem calçada gasta,

Sem memórias de quem lá vive e passa.

Luz nova, sem pressa,

Assim é na planície inteira.

Há também quem assim a queira,

Terra e gente submersa.








4 comentários:

Anónimo disse...

Excelente!
Gostei mesmo muito!
Não é "Vilarinho das Furnas"?
Abraço

Anónimo disse...

Se poderes passa no meu blog.
Gostava que desses a tua opinião no post "Basta!"
Abraço

jocasipe disse...

Tenho saudades da "velhinha" Luz. Fiz-lhe uma última visita no mês anterior ao fecho das comportas.

Moyle disse...

não sei porquê tanto saudosismo e nostalgia. não me digam que ainda não tinham reparado que o país está a meter água há séculos? desde bebé que apenas uso galochas.

cerelac com sabor a chispalhada é uma merda