segunda-feira, setembro 10, 2007

Matraquilhos inovam e colocam terminais de cartão de crédito nas mesas

Sócrates, aqui já pouco se mexe e pouca é a vontade de se mexer. Há um ou outro matreco que se safa com uns tachos por fora, não fosse este um país de bons cozinheiros. Mas ambos sabemos que isso não é boa política.
A vida está má e poucos põem a moedinha. A precariedade chegou, infelizmente, às mesas de matraquilhos. Face a esta crise reagimos introduzindo uma inovação - pagamento por cartão de crédito nas mesas de matraquilhos. Este poderá ser um tiro de sorte ou o último suspiro dos matraquilhos, o tempo dirá.
Sócrates, o Matraquilho investiu é certo, mas se ainda hoje estivéssemos à espera do teu apoio estávamos bem tramados. Por outro lado os matraquilhos não querem com esta inovação contribuir para o já grande endividamento das famílias portuguesas. Vê lá isso e já agora fica de olho na variação das taxas de juro, assim como de muitas outras coisas.
Creio que tens muitos problemas para resolver, amigo Sócrates.

Vá, toca a mexer ou queres que alguém te ponha uma moedinha?


segunda-feira, junho 11, 2007

Aldeias submersas

Vilarinho das Furnas

Pedra sobre pedra de granito cresci,

Sobre pedra de granito repousei.

Pedra de granito sob o céu senti,

No granito sob o céu cantei.

Sob o céu e mergulhada na água morri,

De pedra mergulhada na água permaneço.

Mergulhada na água e na memória de granito desapareço,

Na voz e na memória silenciada de quem em mim vivia adormeço.

Na memória de granito de quem conheci renasço,

Pedra sobre pedra de granito te abraço.






Aldeia da Luz

Luz velha submersa, à pressa.

Devagar veio a desgraça,

De quem afoga as lembranças

Em Luz nova sem graça,

Sem calçada gasta,

Sem memórias de quem lá vive e passa.

Luz nova, sem pressa,

Assim é na planície inteira.

Há também quem assim a queira,

Terra e gente submersa.